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O cantor e compositor goiano Lindomar Castilho morreu nesta sexta-feira (20), aos 85 anos. Artista de grande sucesso popular nas décadas de 1960 e 1970, sua trajetória ficou marcada por um crime de feminicídio que cometeu em 1981, quando assassinou a ex-esposa, a cantora Eliane de Grammont, de 26 anos.
Carreira e sucesso nacional
Lindomar Castilho ficou conhecido nacionalmente por sucessos como “Você é doida demais” (1974), tema de abertura do seriado “Os Normais”, da TV Globo. Com uma voz associada a boleros e sambas-canção, teve uma carreira fonográfica de sucesso, gravando por grandes selos como a Continental e a RCA-Victor. Seu alcance foi internacional, especialmente em países de língua hispânica, onde ficou conhecido como “O namorado de las Americas”.
O crime que mudou sua vida
Na noite de 30 de março de 1981, em um ataque de ciúme e possessividade, Lindomar entrou em uma boate em São Paulo e disparou cinco tiros contra Eliane de Grammont, matando-a. O crime, amplamente noticiado na época, chocou o país. Condenado, ele cumpriu pena e saiu em liberdade condicional em 1988.
Tentativa de retorno e declínio
Na prisão, compôs o álbum “Muralhas da solidão” (1986), de tom confessional. Após cumprir a pena, tentou retomar a carreira – em 2000, lançou um disco ao vivo pela Sony –, mas nunca recuperou o prestígio anterior. Sua imagem permaneceu para sempre associada ao feminicídio, e ele próprio admitiu viver arrependido do crime.
Um legado dividido
A morte de Lindomar Castilho encerra a história de um artista que, até 1981, “cantava o que o povo queria ouvir”, mas cuja vida e carreira foram irremediavelmente transformadas por um ato de violência que, “não tem perdão”.