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PM de SP faz história e terá primeira mulher no comando-geral

Coronel Glauce Cavalli assume nesta quarta (29); cerimônia ocorreu no Barro Branco

A Polícia Militar do Estado de São Paulo tem, pela primeira vez em sua história, uma mulher no comando-geral. A coronel Glauce Anselmo Cavalli assumiu o posto nesta quarta-feira (29) durante cerimônia na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, na capital.

A nomeação foi anunciada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no dia 15 de abril. A PM foi fundada há quase dois séculos e nunca havia sido liderada por uma mulher.

Ouça o repórter Fernando Castro:
(player com sonora de 40s – trecho do discurso da nova comandante e reação de policiais)

Discurso e prioridades

Em seu discurso de posse, a coronel Glauce afirmou que vai ampliar medidas de proteção a mulheres já existentes. Entre as promessas estão:

  • Consolidar o programa Cabine Lilás nos centros de operações da PM

  • Ampliar atendimentos por videochamada

  • Abrir os quartéis da corporação para acolher vítimas de violência doméstica

“Violência doméstica não é algo novo. Sob meu comando, consolidaremos as cabines lilás, ampliaremos o atendimento por videochamadas e abriremos os nossos quartéis para garantir acolhimento humanizado em todo o Estado”, disse a coronel.

Efetivo feminino

A PM paulista tem 81 mil policiais militares. Desses, 11 mil são mulheres – cerca de 13% do efetivo total. O ingresso feminino na corporação começou em 1955, quando 13 mulheres entraram na antiga Força Pública.

O governador Tarcísio de Freitas destacou a importância da nomeação. “Uma mulher vai liderar o combate ao crime, e esse combate ao crime exige resposta firme do Estado, e essa resposta sempre virá”, afirmou.

Contexto de violência de gênero

A nova comandante assume em momento de alta histórica de feminicídios no estado e no país. Um dos casos de maior repercussão ocorreu dentro da própria PM.

A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta em 3 de fevereiro de 2026, com um tiro na cabeça, em seu apartamento. Inicialmente tratado como suicídio, o caso foi reclassificado como feminicídio após investigações.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima, foi apontado como autor do crime. Teve prisão preventiva decretada em 18 de março. Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que ele será julgado por júri popular na Justiça Comum. Ele responde a processo administrativo que pode resultar em expulsão da corporação.

Troca no comando

Glauce Cavalli substitui o coronel José Augusto Coitinho, que ficou cerca de um ano no cargo. Coitinho foi citado em investigação da Corregedoria da PM sobre suposta participação de policiais como seguranças de membros do PCC. O caso ainda está em apuração.

Tarcísio negou que a troca tenha relação com a investigação. “O coronel Coutinho tem uma reputação ilibada. Essas trocas são comuns”, disse o governador, que agradeceu ao antecessor durante a cerimônia.

Perfil da nova comandante

A coronel Glauce Anselmo Cavalli tem 50 anos. Ingressou no curso de formação de oficiais do Barro Branco em 1994 e formou-se em 1997. É mestre e doutora em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, além de graduada em Direito e Educação Física.

Antes do comando-geral, ela dirigiu a Diretoria de Logística da PM. Também comandou a área metropolitana 2 (CPA/M-2), uma das regiões mais populosas da capital, e foi chefe da Coordenadoria de Assuntos Jurídicos do Comando-Geral.

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