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Ex-inspetor denunciou reaproveitamento irregular de peças e falta de aeronavegabilidade; agência nega e abre processo interno
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já havia sido alertada sobre graves falhas de manutenção nas operações da Voepass anos antes do acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. A informação é de reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo (10).
Desde 2019, um ex-inspetor da Anac denunciou reaproveitamento irregular de peças sem laudo de segurança e falta de aeronavegabilidade de aviões da empresa. Em vez de suspender as operações da Voepass, a agência teria ignorado as recomendações e exonerado o agente.
Denúncias e perseguição
O ex-inspetor, exonerado em 2025 após 16 anos de serviço, recomendou em 2019 a suspensão da autorização de voo da MAP Linhas Aéreas (que se fundiu à Passaredo para criar a Voepass). O motivo seriam evidências de peças usadas sem avaliação de aeronavegabilidade. A recomendação não foi seguida, segundo a reportagem.
Em 2022, nova denúncia: peças de um avião acidentado em Rondonópolis (MT), em 2016, teriam sido reaproveitadas ilegalmente. A Anac afirmou ao Fantástico que verificou as peças e concluiu que as normas foram seguidas.
O inspetor também enviou e-mails para órgãos internacionais, como a FAA (EUA) e a EASA (União Europeia). A Anac, porém, o desautorizou perante essas agências e abriu processo interno por insubordinação em 2023. Ele foi exonerado em 2025.
Suspeita de propina e falhas na fiscalização
Na semana passada, a Polícia Federal concluiu inquérito e citou suspeita de falhas na fiscalização. Um mecânico de pista da Voepass, testemunha, relatou suspeita de pagamento de propina pela empresa a funcionários da Anac. Ele disse que teve sua carteira de autorização suspensa mesmo após ser aprovado em curso de reciclagem e acredita que a motivação foi retirá-lo da pista por “criar muito caso”.
O que dizem Anac e Voepass
A Anac afirmou ao Fantástico que abrirá processo interno para verificar a responsabilidade de servidores. A Voepass disse que a segurança era prioridade da empresa.
A PF vai encaminhar a investigação à Procuradoria da República no Distrito Federal para apurar eventual prática de atos de improbidade administrativa por integrantes da agência.