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Priscila Lacerda Custódio foi baleada quando tentava devolver uma caminhonete e encerrar o relacionamento com um pecuarista. O homem, de 62 anos, estava foragido e teve o corpo localizado nesta segunda-feira (2).
A Polícia Civil investiga como feminicídio a morte da empresária Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, baleada na noite de 27 de outubro, em Rifaina, na região de Franca. A jovem foi atingida por disparos na entrada de uma propriedade rural, às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), e morreu depois de ser socorrida.
O principal suspeito era o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, com quem Priscila mantinha um relacionamento. Ele fugiu após o crime e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Pedregulho. Na manhã desta segunda-feira (2), porém, foi encontrado morto em uma área de mata de sua propriedade rural, em Rifaina.
A causa da morte ainda não havia sido oficialmente confirmada. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Franca para exames e esclarecimento das circunstâncias do óbito.
Natural de Perdizes, em Minas Gerais, Priscila trabalhava como empresária de marketing digital. Segundo familiares, começou a trabalhar aos 16 anos e construiu a própria empresa, prestando serviços e cobrindo eventos na cidade e na região.
Ela morava em Perdizes e tinha planos de se mudar para Uberlândia. Desde junho, mantinha um relacionamento com um jovem de 26 anos.
Na terça-feira (27), Priscila percorreu aproximadamente 100 quilômetros até Rifaina para devolver uma caminhonete que pertencia ao pecuarista. Ela estava acompanhada do irmão e de uma amiga, pois, segundo relatos, temia encontrar o homem sozinha após ameaças anteriores.
Na entrada da propriedade rural, houve uma discussão envolvendo a devolução de aparelhos celulares. Conforme depoimentos de testemunhas, Bolelli sacou uma arma e atirou contra a jovem. O irmão também teria sido ameaçado, mas conseguiu escapar.
Priscila foi socorrida e levada a uma unidade de saúde de Rifaina, mas não resistiu aos ferimentos. Depois dos disparos, o suspeito fugiu utilizando a caminhonete que acabara de receber.
A investigação reuniu depoimentos segundo os quais Priscila já havia manifestado o desejo de encerrar o relacionamento, mas o pecuarista não aceitava a separação. Pessoas próximas relataram ameaças e episódios de agressão física nos dias anteriores ao assassinato.
Uma amiga informou à Polícia Civil que a jovem apresentava marcas de agressão após um episódio ocorrido quatro dias antes do crime.
Bolelli também possuía antecedentes judiciais relacionados à violência contra mulheres. Em 2021, foi condenado a três meses e 15 dias de detenção, em regime aberto, por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira. A condenação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 2022.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o feminicídio. O local do crime passou por perícia, testemunhas foram ouvidas e o celular da vítima foi apreendido para análise.
Após a fuga, a Justiça decretou a prisão preventiva do pecuarista. A caminhonete utilizada por ele foi localizada abandonada nas proximidades da propriedade rural.
Na manhã de 2 de novembro, familiares encontraram o corpo de Bolelli em uma área de mata da fazenda. A Polícia Militar preservou o local para o trabalho da perícia. A causa e a data exata da morte dependem dos exames oficiais.
A morte do investigado poderá levar à extinção da punibilidade em relação ao crime, conforme prevê a legislação penal brasileira, mas isso depende da confirmação do óbito e dos procedimentos legais correspondentes.