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Diretor morreu aos 92 anos, após mais de sete décadas de carreira. Reconhecido por sua criatividade e competência, também conquistou colegas pela maneira discreta e respeitosa de liderar equipes.
A televisão brasileira perdeu, nesta sexta-feira (6), um de seus profissionais mais importantes. Nilton Travesso morreu aos 92 anos, deixando uma trajetória de mais de 70 anos dedicada à produção e à direção de programas que marcaram diferentes gerações de telespectadores.
Além da contribuição artística e técnica, Travesso será lembrado por uma característica que colegas consideravam cada vez mais rara nos bastidores da televisão: a gentileza no trato com as pessoas.
Segundo relato publicado pelo jornalista Jeff Benício, no portal Terra, o diretor tinha um estilo de liderança baseado no respeito, na escuta e na generosidade. Falava baixo, valorizava as opiniões da equipe e conduzia o trabalho sem recorrer à intimidação ou a atitudes autoritárias.
Nilton Travesso iniciou sua trajetória em 1953, na TV Record, e participou de importantes momentos da história da televisão brasileira. Ao longo das décadas, passou por emissoras como Globo, SBT, Bandeirantes e Manchete.
Seu currículo reúne produções de diferentes gêneros e formatos, entre elas Fantástico, Família Trapo, Jovem Guarda, TV Mulher, Chico Anysio Show, Éramos Seis, Mais Você, Saia Justa e Casa dos Artistas.
Na Rede Globo, participou da criação de programas que se tornaram referências na programação nacional. Também esteve à frente de festivais musicais, novelas, atrações de humor, programas jornalísticos e projetos de entretenimento.
O compromisso de Travesso com a televisão também se estendeu à formação de profissionais. Em 2001, fundou a Oficina de Atores Nilton Travesso, em São Paulo, espaço dedicado à preparação de artistas para o teatro e o audiovisual.
Na escola, defendia que a busca pela excelência na atuação deveria estar acima da simples procura pela fama. Centenas de alunos passaram por sua formação.
Em uma homenagem recebida em 2023, resumiu sua relação com a profissão: “Setenta anos de televisão nunca me cansaram. Dei minha alma”.
Mais do que os programas que dirigiu e os talentos que ajudou a revelar, Nilton Travesso deixa o exemplo de que competência e autoridade não precisam estar associadas à arrogância. Sua trajetória mostra que é possível liderar com firmeza, criatividade e, sobretudo, humanidade.