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Ministério Público do Trabalho recebeu 1.937 denúncias durante o processo eleitoral. Ameaças, pressão política e promessas de vantagens para influenciar o voto podem resultar em punições.
O fim das eleições não impede a investigação de casos de assédio eleitoral. Trabalhadores que sofreram ameaças, constrangimentos ou pressões para votar em determinado candidato ainda podem denunciar as irregularidades às autoridades competentes.
Segundo a Agência Brasil, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 1.937 denúncias de assédio eleitoral até segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno das eleições presidenciais. Desse total, 946 foram registradas entre o primeiro e o segundo turnos.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Vieira de Mello Filho, afirmou que a Justiça continuará combatendo essa prática e que as denúncias serão julgadas.
O assédio eleitoral ocorre quando alguém utiliza uma posição de poder no ambiente profissional para constranger, ameaçar ou pressionar trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato, partido ou posicionamento político.
Entre as situações que podem configurar a prática estão:
A proteção abrange empregados com carteira assinada, terceirizados, estagiários e servidores públicos. O assédio eleitoral pode configurar crime, sujeito às sanções previstas na legislação, além de outras consequências trabalhistas.
Quem sofreu ou presenciou uma situação de assédio eleitoral pode procurar os seguintes canais:
Também é possível utilizar o site da campanha No Meu Voto Mando Eu, da Justiça do Trabalho, voltada ao combate ao assédio eleitoral.
Ao denunciar, é recomendável reunir mensagens, e-mails, gravações, documentos e outros elementos que ajudem a demonstrar o ocorrido, preservando as informações que possam identificar a vítima.
Um dos episódios mencionados pela Agência Brasil envolve o empresário Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás. Ele publicou um vídeo oferecendo uma viagem com despesas pagas a mil apoiadores de Lula para que não fossem votar. A Justiça do Trabalho concedeu uma liminar para impedir a iniciativa, sob pena de multa de R$ 100 mil por trabalhador encontrado nessa situação.
No Rio de Janeiro e no Paraná, deputadas estaduais eleitas também publicaram mensagens sugerindo a demissão de trabalhadores em razão de suas preferências políticas. A Agência Brasil destaca que demissões motivadas por orientação política podem caracterizar discriminação nas relações de trabalho.
As autoridades reforçam que a liberdade de escolha política deve ser respeitada antes, durante e depois das eleições. O encerramento da votação não elimina a possibilidade de apurar ameaças, coações ou retaliações ocorridas durante a campanha.
A orientação é que trabalhadores que tenham passado por essas situações procurem os órgãos competentes. A denúncia pode contribuir para a responsabilização dos envolvidos e para prevenir novas práticas de pressão política no ambiente profissional.
Com informações da Agência Brasil.