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Resultado das eleições de meio de mandato muda o equilíbrio político em Washington. Oposição passa a controlar as duas casas do Congresso e poderá barrar projetos, fiscalizar o governo e abrir investigações contra a administração republicana.
O Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos nas eleições legislativas realizadas na terça-feira (3). O resultado, confirmado por projeções divulgadas na madrugada desta quarta-feira (4), representa uma derrota expressiva para o presidente Donald Trump e altera a correlação de forças políticas no país.
No Senado, os democratas alcançaram pelo menos 53 cadeiras, superando o número necessário para assumir o controle da Casa. Na Câmara dos Representantes, também garantiram a maioria, ultrapassando os 218 assentos necessários. A apuração de algumas disputas ainda continuava, mas as projeções já indicavam a vitória da oposição nas duas casas legislativas.
A conquista do Congresso pelos democratas deve dificultar a aprovação das principais propostas de Trump nos dois últimos anos de seu mandato. Com o controle das comissões parlamentares, a oposição terá maior capacidade de convocar autoridades, solicitar documentos, investigar decisões do governo e fiscalizar a utilização de recursos públicos.
Os democratas também poderão dificultar a confirmação de indicações presidenciais para cargos importantes da administração federal e do Judiciário.
Uma eventual tentativa de impeachment poderá voltar ao debate político. A Câmara tem competência para apresentar acusações contra o presidente, enquanto o Senado conduz o julgamento. Uma condenação, entretanto, exige o apoio de dois terços dos senadores.
Um dos fatores que marcaram a eleição foi o avanço democrata em estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos.
No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton, candidato apoiado por Trump, e conquistou uma cadeira no Senado. A vitória tem peso histórico, já que o estado não elegia um senador democrata havia 38 anos.
No Kansas, Adam Hamilton também venceu uma disputa considerada difícil para os democratas. O estado não elegia um senador do partido desde 1932.
Na Carolina do Sul, Annie Andrews conquistou uma cadeira ao derrotar Darline Graham. Em Ohio, Sherrod Brown venceu o republicano Jon Husted. Os democratas também obtiveram resultados importantes em Iowa, Maine e Carolina do Norte.
Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff garantiu a reeleição.
A insatisfação com a economia, o aumento do custo de vida e os efeitos da guerra contra o Irã estiveram entre os fatores que contribuíram para o desgaste do governo Trump.
Levantamentos divulgados antes da eleição apontavam queda na aprovação presidencial e preocupação dos eleitores com a situação financeira das famílias. A oposição conseguiu transformar esse descontentamento em votos, inclusive em estados que tradicionalmente apoiam candidatos republicanos.
Trump participou de atos de campanha e pediu que os eleitores mantivessem a maioria republicana no Congresso. Depois do resultado, procurou minimizar o impacto político da derrota e afirmou que não estava diretamente na disputa.
Com o Congresso sob controle democrata, o presidente terá de enfrentar uma oposição fortalecida. Trump sinalizou que poderá utilizar o poder de veto para barrar projetos aprovados pelos parlamentares.
Pela Constituição norte-americana, o presidente pode rejeitar propostas legislativas. Para derrubar um veto, porém, Câmara e Senado precisam reunir dois terços dos votos em cada Casa.
Mesmo com o controle do Congresso, os democratas não assumem o comando do Poder Executivo. Trump permanece na Presidência e conserva atribuições importantes, especialmente na política externa e na condução das Forças Armadas.
A nova composição legislativa, no entanto, poderá limitar iniciativas que dependam de aprovação de recursos, mudanças na legislação ou confirmação de autoridades.
O novo Congresso toma posse em janeiro de 2027. Até lá, a conclusão da apuração e a definição das lideranças parlamentares devem orientar os próximos movimentos dos partidos.
A vitória democrata representa uma mudança significativa no cenário político norte-americano e abre um período de maior disputa entre a Casa Branca e o Legislativo. O resultado também poderá influenciar as articulações para a eleição presidencial de 2028, quando os eleitores escolherão o sucessor de Trump.