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Em entrevista coletiva, presidente destacou expansão comercial, defendeu reforma da ONU e falou sobre relação com Donald Trump antes de embarcar para a Coreia do Sul.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (22) que o Brasil vive um momento de expansão comercial e fortalecimento internacional ao fazer um balanço da visita de Estado à Índia. Antes de embarcar para a Coreia do Sul, o chefe do Executivo destacou metas ambiciosas para o comércio exterior e defendeu maior protagonismo do país nos fóruns globais.
“É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil. Em apenas três anos e dois meses, nós fizemos mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros. É mais do que tudo que a gente já tinha alcançado em muito tempo”, declarou.
📈 Comércio exterior em expansão
Lula recordou que, há 21 anos, ao retornar de uma viagem à Índia, celebrou a marca de 100 bilhões de dólares em comércio exterior. Atualmente, segundo ele, esse volume alcança cerca de 649 bilhões de dólares .
“E eu espero que, dentro de algum tempo, a gente possa comemorar um trilhão de dólares de comércio exterior”, afirmou .
Sobre a relação bilateral com a Índia, o presidente demonstrou confiança na ampliação do fluxo. De acordo com Lula, o primeiro-ministro Narendra Modi propôs uma meta de 20 bilhões de dólares até 2030.
“Eu disse: nós vamos chegar a 30 bilhões em 2030, porque o potencial econômico dos dois países é muito forte”.
Em 2025, o comércio entre Brasil e Índia superou 15 bilhões de dólares pela primeira vez, com crescimento de 25% em relação ao ano anterior.
📝 Acordos e cooperação bilateral
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, detalhou os resultados da missão:
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, classificou a missão como a mais relevante da atual gestão:
“De todas as missões, acho que essa foi a maior, com extraordinários resultados. Nós inauguramos o escritório da Apex aqui em Nova Déli, que já está funcionando. Nós colocamos produtos do Brasil na maior rede de supermercados daqui de Nova Déli. Amanhã, vamos colocar na maior rede de supermercados de Mumbai. São pelo menos 40 lojas que já vão ter produtos brasileiros: castanha, açaí, limão, frutos”.
Relação com os Estados Unidos
Ao comentar a expectativa de encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, Lula afirmou que pretende tratar de uma agenda ampla entre os dois países:
“A pauta que eu quero conversar com o presidente norte-americano é muito mais ampla do que minerais críticos. Nós temos uma relação diplomática de 201 anos. É uma relação muito sólida. O que eu quero conversar com o Trump é a relação entre o Brasil e os Estados Unidos” .
O presidente também defendeu tratamento igualitário nas relações bilaterais:
“Nós queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário. Se isso for possível, eu acho que tudo voltará à normalidade” .
Sobre as tarifas aplicadas pelos EUA, Lula afirmou que buscará diálogo direto:
“Eu quero conversar com o Trump pessoalmente, sentar em torno de uma mesa para conversar com muita seriedade sobre a importância da relação civilizada entre Brasil e Estados Unidos” .
🌐 Reforma da ONU e fortalecimento do BRICS
Lula voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança da ONU, questionando a ausência de países populosos e de regiões como África e América Latina:
“Por que a Índia não está no Conselho de Segurança da ONU? Um país com um bilhão e quatrocentos milhões de seres humanos. Por que o Brasil não está? Por que a Alemanha não está? Por que o México não está? Por que a Nigéria não está? Por que o Egito não está?” .
Segundo ele, a ONU precisa de maior representatividade para recuperar eficácia:
“Do jeito que está a ONU, ela tem hoje pouquíssima eficácia. Ela não resolve nenhum problema. É preciso fortalecer a ONU se a gente quer que prevaleça uma instituição de importância vital para a manutenção da paz e da harmonia no mundo” .
O presidente também ressaltou a importância do BRICS na reorganização do cenário global:
“O BRICS é um processo de formação de um grupo muito forte. Quase metade da humanidade. Eu estou convencido de que o BRICS é um jeito da gente ter o equilíbrio geopolítico no planeta Terra”.
Polêmica no Carnaval
Perguntado sobre a polêmica pelo desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio de Janeiro, o presidente afirmou que não cabe a ele “dar palpite” sobre desfile e diz que enredo foi, na verdade, uma homenagem à sua mãe, dona Lindu. Ala dos “neoconservadores em conserva” gerou críticas de lideranças religiosas e da oposição.
📌 Próximos passos
Lula embarcou para a Coreia do Sul, onde dará continuidade à agenda internacional. A visita faz parte da estratégia do governo de ampliar mercados e reforçar a presença do Brasil no cenário global .