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Maior artilheiro e jogador com mais partidas pela Argentina, camisa 10 encerra trajetória marcada pela superação das críticas, pela conquista da Copa do Mundo e por títulos que consolidaram seu legado no futebol.
Lionel Messi encerra nesta terça-feira (6) sua trajetória com a seleção argentina, colocando ponto final em uma das histórias mais marcantes do futebol mundial. Aos 39 anos, o craque disputará seu último jogo pela equipe nacional no amistoso contra Benim, em Buenos Aires, após mais de duas décadas defendendo a camisa albiceleste.
Os números dimensionam a grandeza dessa caminhada: são 207 partidas, 125 gols e 66 assistências, segundo os dados divulgados pela Associação do Futebol Argentino (AFA). Messi deixa a seleção como recordista de jogos e maior goleador da história da equipe.
Mas sua trajetória não foi construída apenas com números e conquistas. Antes de se tornar o principal símbolo de uma geração campeã, o atacante precisou enfrentar derrotas dolorosas, críticas e questionamentos sobre sua relação com a camisa argentina.
A história de Messi com a seleção principal começou em 17 de agosto de 2005, em amistoso contra a Hungria. Na ocasião, o jovem atacante entrou em campo, mas foi expulso pouco depois de sua estreia, em um episódio que marcou o início de uma carreira internacional repleta de acontecimentos extraordinários.
Ainda naquele ano, conquistou o Mundial Sub-20 com a Argentina, dando os primeiros sinais do talento que o transformaria em um dos maiores jogadores de todos os tempos. Em 2006, disputou sua primeira Copa do Mundo, na Alemanha, iniciando uma sequência de seis participações no principal torneio do futebol mundial.
Apesar do sucesso nos clubes, especialmente durante sua passagem pelo Barcelona, o caminho com a seleção principal foi mais difícil. Messi acumulou atuações decisivas, mas os títulos importantes demoraram a chegar.
A seleção argentina chegou a três finais consecutivas entre 2014 e 2016. Primeiro, perdeu para a Alemanha na decisão da Copa do Mundo de 2014. Depois, foi derrotada pelo Chile nas finais da Copa América de 2015 e 2016, ambas decididas nos pênaltis.
Após a derrota de 2016, Messi anunciou que deixaria a seleção. A declaração provocou comoção entre torcedores e jogadores, que pediram seu retorno.
O atacante reconsiderou a decisão e voltou a vestir a camisa argentina. A partir dali, iniciou uma nova etapa, ainda marcada por desafios, mas que acabaria transformando sua relação com o país.
Na Copa do Mundo de 2018, a Argentina foi eliminada pela França nas oitavas de final. A mudança começou a ganhar força com a chegada do técnico Lionel Scaloni, que ajudou a construir uma equipe mais equilibrada e capaz de dividir responsabilidades com seu principal jogador.
O primeiro grande título de Messi com a seleção principal veio em 2021. Na final da Copa América, disputada no Maracanã, a Argentina venceu o Brasil por 1 a 0, encerrando um jejum de 28 anos sem conquistar um título oficial na categoria masculina principal.
A vitória representou muito mais do que um troféu. Messi, que havia disputado várias finais sem conseguir levantar uma taça pela equipe principal, finalmente celebrou uma conquista com a camisa que sempre desejou defender.
Em 2022, veio o capítulo mais importante dessa trajetória. Na Copa do Mundo do Catar, a Argentina superou a França em uma final histórica, decidida nos pênaltis após empate por 3 a 3. Messi marcou dois gols na decisão e conduziu a equipe à terceira conquista mundial do país.
Eleito o melhor jogador do torneio, o capitão alcançou o título que faltava em sua carreira e consolidou definitivamente seu lugar na história do futebol argentino.
A sequência vitoriosa continuou em 2022, com a conquista da Finalíssima diante da Itália, e em 2024, quando a Argentina venceu novamente a Copa América, derrotando a Colômbia na decisão.
Além dos títulos, Messi deixa marcas expressivas nas principais competições internacionais. É o jogador com mais partidas disputadas pela seleção argentina e seu maior artilheiro, com 125 gols.
Em Copas do Mundo, participou de seis edições, entre 2006 e 2026, e tornou-se uma das figuras mais presentes e decisivas da história do torneio. Na Copa de 2022, marcou gols em todas as fases eliminatórias, incluindo a final contra a França.
Sua longevidade também permitiu que atravessasse diferentes gerações de jogadores, assumindo a liderança da equipe e se tornando uma referência dentro e fora de campo.
Na Copa do Mundo de 2026, Messi voltou a ser protagonista e ajudou a Argentina a alcançar novamente a final, encerrando sua participação no torneio com oito gols e quatro assistências, de acordo com os dados divulgados pela AFA.
A despedida diante de Benim simboliza o encerramento de uma trajetória que começou com um jovem talentoso e terminou com um capitão campeão do mundo, recordista e ídolo nacional.
Messi deixa a seleção depois de enfrentar o peso das expectativas, conviver com comparações históricas e superar frustrações que chegaram a fazê-lo questionar sua permanência na equipe. Sua história mostra uma transformação que ultrapassa o desempenho individual: a passagem de um craque contestado por parte da torcida a um dos maiores símbolos esportivos da Argentina.
A partir desta terça-feira, a camisa 10 ficará associada definitivamente a uma era de conquistas, recordes e emoção. Mais do que os gols e os troféus, Messi deixa a lembrança de um jogador que persistiu até realizar o sonho de ser campeão do mundo com seu país.