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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania dos países e criticou a interferência externa em processos políticos e eleitorais durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York.
Ao abordar a situação da América Latina e do Caribe, Lula afirmou que a proximidade geográfica com os Estados Unidos impõe desafios à região, mas não deve significar submissão política.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”
Segundo Lula, a América Latina voltou a enfrentar situações de ingerência externa em eleições, divisão do mundo em zonas de influência e disputas por recursos estratégicos. O presidente defendeu que os países da região ampliem a integração e respeitem a autodeterminação dos povos.
Lula afirmou que a democracia voltou a estar “em xeque” e mencionou a interferência estrangeira em processos eleitorais.
O presidente também defendeu que diferenças ideológicas não impeçam a aproximação entre os países latino-americanos e destacou a necessidade de parceiros que contribuam para o desenvolvimento regional.
Em outro trecho do discurso, Lula criticou a incapacidade da comunidade internacional de impedir conflitos armados. Segundo ele, a ONU vive um dos momentos mais críticos de sua história e o Conselho de Segurança permanece limitado pelo poder de veto das grandes potências.
O presidente também abordou conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, além de temas como mudanças climáticas, inteligência artificial e combate ao crime organizado.
Ao tratar da segurança, Lula defendeu cooperação internacional para combater o financiamento do crime organizado e o tráfico de armas, mas afirmou que o Brasil não pretende transferir a responsabilidade pela proteção de suas fronteiras para forças estrangeiras.
A posição foi apresentada no contexto das discussões recentes entre Brasil e Estados Unidos sobre segurança e atuação de organizações criminosas.
Sem citar nominalmente os Estados Unidos no trecho em que utilizou a expressão “quintal”, Lula fez referências à influência da maior potência militar do mundo sobre a América Latina. O discurso ocorreu em um momento de tensão nas relações entre Brasília e Washington, que envolvem questões comerciais, políticas e relacionadas às eleições brasileiras de 2026