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Temporal mata idoso, paralisa hospitais e deixa rastro de destruição em Ribeirão Preto

Foto: André Luiz da Silva

Vendaval com rajadas de até 70 km/h derrubou centenas de árvores, interrompeu o fornecimento de energia e água, suspendeu aulas e levou a Prefeitura a decretar situação de emergência

O forte temporal que atingiu Ribeirão Preto na madrugada desta sexta-feira (24) provocou a morte de um idoso de 90 anos, deixou uma pessoa ferida e causou uma série de transtornos em diferentes regiões da cidade. Com ventos de até 70 km/h e 24 milímetros de chuva em apenas 20 minutos, o fenômeno derrubou centenas de árvores, interrompeu o fornecimento de energia elétrica e água, afetou hospitais, suspendeu aulas da rede municipal e mobilizou uma força-tarefa da Prefeitura.

Segundo a administração municipal, o idoso morreu após o desabamento da residência onde estava, no bairro Salgado Filho, na zona Norte. Em outra ocorrência, um desabamento na Avenida Bandeirantes deixou uma pessoa ferida, que foi socorrida e encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Virgínia.

Ventos fortes e chuva intensa

De acordo com a Defesa Civil, as rajadas de vento de 70 km/h foram registradas às 5h40 pela estação meteorológica do Aeroporto Leite Lopes. O órgão destaca, porém, que a velocidade pode ter sido ainda maior em alguns bairros.

Em apenas 20 minutos, a cidade acumulou aproximadamente 24 milímetros de chuva, volume classificado como muito forte. Até então, o acumulado de precipitação em julho era de apenas 1 milímetro, evidenciando a brusca mudança nas condições climáticas.

Queda de árvores e trânsito comprometido

Os ventos provocaram a queda de centenas de árvores e galhos, bloqueando ruas e avenidas em diversos bairros.

A Avenida Nove de Julho teve trechos interditados, enquanto a Avenida Caramuru registrou queda de galhos sobre a pista e o desabamento parcial da fachada de um estabelecimento comercial.

Até o fim da manhã, o Corpo de Bombeiros havia registrado cerca de 250 ocorrências, principalmente relacionadas à queda de árvores, número que continuava aumentando ao longo do dia.

A mobilidade urbana também foi severamente afetada. Mais de 50 semáforos ficaram desligados ou danificados pela falta de energia elétrica, provocando congestionamentos em diferentes regiões. Em diversos pontos da cidade, tampas de bueiros e de poços de visita foram deslocadas pela força da enxurrada, aumentando o risco de acidentes.

Energia e abastecimento de água afetados

A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) informou que três subestações ficaram fora de operação e que 14 torres de transmissão sofreram danos em decorrência dos ventos.

A concessionária trabalhou para restabelecer o fornecimento de energia e providenciou geradores para manter em funcionamento as bombas responsáveis pelo sistema de abastecimento de água.

Dos 123 poços artesianos que abastecem Ribeirão Preto, 39 ficaram paralisados, comprometendo o fornecimento em diversos bairros da cidade.

Escolas sem aulas

A falta de energia também atingiu a rede municipal de ensino. Segundo a Prefeitura, 117 escolas ficaram sem fornecimento de energia elétrica, levando à suspensão das aulas nesta sexta-feira.

Além disso, unidades escolares sofreram danos estruturais provocados pelos ventos, principalmente nos telhados.

Hospitais operam em situação de emergência

A rede hospitalar foi uma das mais impactadas pelo temporal.

A Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas sofreu danos estruturais e precisou interromper temporariamente o recebimento de novos pacientes, exigindo a reorganização dos atendimentos de urgência no município.

No Hospital Santa Lydia, uma árvore bloqueou o acesso à unidade. O hospital passou a operar com geradores após a interrupção da energia elétrica e também registrou infiltrações e alagamentos provocados pela chuva.

Segundo a Prefeitura, durante a manhã havia apenas 13 leitos hospitalares disponíveis na cidade, situação que levou a administração municipal a adotar medidas emergenciais para ampliar a capacidade de atendimento.

Danos em prédios públicos

O temporal também provocou o desabamento da estrutura de um centro de treinamento localizado na Avenida Antônio e Helena Zerrener, na Vila Amélia. Uma pessoa foi resgatada com vida.

O Centro POP sofreu graves danos, com parte do telhado destruída, e teve as atividades suspensas para avaliação técnica.

Como medida preventiva, a Prefeitura disponibilizou a Cava do Bosque e escolas municipais para receber famílias que eventualmente tenham ficado desalojadas ou desabrigadas.

Alerta havia sido emitido

A Defesa Civil do Estado de São Paulo já monitorava a chegada de uma frente fria desde quarta-feira (22) e havia emitido alerta para chuvas intensas, raios e ventos fortes entre quinta-feira (23) e sexta-feira (24).

Na madrugada desta sexta-feira, às 5h31, um novo alerta foi enviado por SMS aos moradores da região diante da intensificação das condições meteorológicas.

Além de Ribeirão Preto, municípios como Pradópolis, Dumont, Guariba, Barrinha e Taquaritinga também registraram ocorrências relacionadas à queda de árvores, destelhamentos, interrupção de energia e danos estruturais. Em Pradópolis, uma estação meteorológica registrou rajada de vento de 121 km/h.

Gabinete de crise e decreto de emergência

Equipes da Defesa Civil, Guarda Civil Metropolitana, Corpo de Bombeiros, RP Mobi e de diversas secretarias municipais permanecem mobilizadas na remoção de árvores, desobstrução de vias, recuperação dos serviços essenciais e atendimento às ocorrências.

Diante da gravidade da situação, o prefeito Ricardo Silva instalou um gabinete de crise e assinou um decreto de situação de emergência, com o objetivo de agilizar as ações de resposta e acelerar a recuperação da cidade.

Como reflexo dos estragos provocados pelo temporal, a campanha de vacinação que seria realizada neste sábado (25) foi cancelada. A Prefeitura informou que uma nova data será divulgada após a normalização da situação.

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