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Tratamento 100% nacional apresentou resposta positiva em mais de 87% dos pacientes. Tecnologia custa cerca de um quinto da versão comercial existente (R500milcontraR 2,5 milhões).
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quarta-feira (10) que a terapia CAR-T Cell contra cânceres do sangue, desenvolvida pelo Hemocentro de Ribeirão Preto (ligado à Faculdade de Medicina da USP), deve chegar ao SUS (Sistema Único de Saúde) em cerca de um ano .
O anúncio foi feito durante visita do ministro ao Hospital das Clínicas e ao Hemocentro de Ribeirão Preto, onde ele também entregou veículos e equipamentos do programa Agora Tem Especialistas .
A terapia CAR-T é um tratamento inovador contra cânceres do sangue (como leucemias e linfomas) que utiliza as próprias células de defesa do paciente (linfócitos T) modificadas em laboratório para atacar as células tumorais .
“É um tratamento que é um tiro, como a gente fala. É uma infusão, 20 minutos, normalmente, com uma célula que é do próprio paciente, que foi modificada, treinada em laboratório. Ela é viva, então ela persiste, se multiplica e combate a doença. Muito diferente de outros tipos de tratamento, que você precisa fazer várias sessões”, destaca o professor Diego Villa Clé, pesquisador principal do CAR-T e professor da FMRP-USP .
Resultados preliminares: Mais de 87% dos pacientes apresentaram resposta positiva – incluindo pessoas que já haviam passado por quimioterapia, radioterapia, transplante e outros tratamentos sem sucesso .
A tecnologia traz uma redução substancial dos custos para o SUS :
Versão 100% nacional (CAR-T de Ribeirão Preto): cerca de R$ 500 mil por paciente
Versão similar comercial existente no mercado: orçada em R$ 2,5 milhões por paciente
O tratamento desenvolvido em Ribeirão Preto custa cerca de um quinto do valor da versão comercial.
| Etapa | Previsão |
|---|---|
| Fase clínica final | Início ainda em 2026, com 81 pacientes |
| Acompanhamento pela Anvisa | 1 ano (marcadores de segurança e eficácia) |
| Registro do produto e liberação para uso | Após aprovação da Anvisa |
| Chegada ao SUS | Cerca de um ano (a partir de junho/2026) |
O estudo recebeu cerca de R$ 100 milhões do Ministério da Saúde em seus anos iniciais e é uma parceria do governo federal com o governo do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Butantan, USP Ribeirão e Fapesp .
De acordo com Diego Villa Clé, a técnica pode ser usada futuramente para tratar outros tipos de câncer e também outras doenças :
“Estamos com estudos em fase final de aprovação para tratar doenças autoimunes. A primeira será o Lupus Eritematoso Sistêmico e, em seguida, a Miastenia Gravis.”
O “tratamento vivo” será monitorado de forma contínua em todos os participantes do estudo cinco anos após a remissão .
Paulo Peregrino (64 anos, publicitário, um dos 20 pacientes da fase de testes):
“Meu corpo estava todo tomado pelo linfoma e, depois de 30 dias da infusão, estava limpo. Eu sempre falo: Acreditem na Ciência. Deus e a ciência me trouxeram aqui.”
Bruno Marques Giovanni (33 anos, educador físico de Piracicaba, em remissão da leucemia desde 2021):
“Não senti reação pós e consegui voltar à minha rotina, à minha vida normal muito mais rápido em relação aos outros tratamentos que fiz. Não é tão agressivo comparado às outras linhas de tratamentos primárias.”
O ministro Alexandre Padilha destacou a importância do investimento na ciência para assegurar a permanência desses pesquisadores de ponta no Brasil :
“Nosso primeiro investimento é fortalecer a pesquisa do nosso país. Se não tivesse o investimento, [esses pesquisadores de Ribeirão] estariam em outros lugares do mundo, e a gente perderia profissionais de alta capacidade que já estão desenvolvendo uma terapia muito promissora para o linfoma, para a leucemia, e que pode ser uma terapia para outras doenças.”
Durante a visita, o ministro também anunciou:
Aporte federal de R$ 180 milhões para o Projeto Genoma SUS (o Centro de Terapia Celular do Hemocentro de Ribeirão é um dos pioneiros)
Entrega de ambulâncias para o Samu
Combos de equipamentos para Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades Odontológicas Móveis (UOMs)
Assinatura de ordem de construção de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em Matão
Construção de uma policlínica em Franca com recursos do Novo PAC Saúde